48 dias na Catalunha (excepcionalmente 3 em França) 132 páginas de Charles Dickens lidas 447 pacotes de herbário identificados 2 frascos de mel comidos ...euros gastos 4 pratos de paelha ca. 27 calçots 1567 fotos (só?) 5(x10) bilhetes de metro 2 siestas 0,25º de astigmatismo extra 56 inalações de ácido clorídrico 1 ben-u-ron vs. 1 caixa de compensan 4 meregues de morango, 1 de avelã ...barbas 2 amigas e 1 amigo
hoje fui passear pelos caminhos de um jardim moderno e acolhedor, longe da confusão da cidade, com céu branco, flores de odores fortes e conhecer o ilustrador da Flora Ibérica (antes de ter morrido, pelo menos).
depois até ao Museu de Arte Catalã. mais uns Picasso, mais uns Miró, mais uns presentinhos para a famelga.
agora vou para ali "desfiar bacalhau" para mostrar a esta gente como se cozinham pataniscas e bacalhau espiritual que logo tenho um "jantar-karaoke".
ah! deve ser isto que se sente quando se consegue terminar alguma coisa ao nível pretendido e a tempo! chiii, se ao menos eu sentisse isto mais vezes poderia ter mais vontade de trabalhar...vou empacotar a sensação a sensação e enviar a algumas pessoas em mente.
fantástico - até me pus a empatar e a fazer etiquetas para as caixas de herbário e a escrever bilhetes para as colegas de trabalho e dar beijinhos de "despedida" aos rapazes giros do departamento : vou celebrar com uma siesta no relvado do Palau Reial e uma azia à custa de sidra de pêra e já venho...
p.s. já não estou apaixonada pelo meu porteiro: ele lê livros de zombies. explicou-me que é giro. bolas, mais um fora de jogo...
já sei dizer: "cas tancat, ara només tenim l'informe"
todos nós vamos morrer: a pergunta importante é o que estaremos dispostos a fazer em vida quando isso acontecer...
hoje aqui chegou a Primavera. não dá vontade de trabalhar o facto de haver mais pele à mostra e o céu bem azul. tivemos de ir percorrer ruas à noite e al cine.
a saga dos raviolis continua e comprei bacalhau para cozinhar a esta gente. a ver se sai bem o "bacalhau espiritual".
já sei dizer "Hérisson Ford" (nome dado aos ouriços de estimação em França e já sei que os ouriços até gostam de nadar e boiar!....
imagino as lojas lá ao fundo já que hoje mais uma vez mal consegui levantar a cara das oculares da lupa. já estou com bichos carpinteiros de tanto tempo a trabalhar seguido.
nas ruas desta cidade as horas correm rápido. as lojas sucedem-se, todas interessantes agora com colecções novas, mas, demasiado caras (fico-me pelas fotos e pelas comidas).
aqui há tantos sítios "confi" para boas conversas, tantos bares e cafés pequenos, cutres mas convidativos que pedem tempo e livre, apetite de ler, convites a amigos. descobertas fotográficas, tudo em tons escurinhos, de calor dentro de paredes antes que chegue a Primavera.
e barbas a passar (já vos falei delas?... - eu como boa amiga vossa tenho escolhido os respectivos que vos agradariam e que a mim me sobrariam (às meninas que lêem isto claro...:P).
o tempo corre ainda mais rápido que no Porto, que raios! ainda quero ir a tanto sítio e já tenho de ir embora no Domingo. tanta informação, tão pouco tempo para assimilar - é parece que vou ter de voltar...mas com menos trabalho.
já sei dizer que aqui a vida passa num "plis-plas"
ai ai ai - que isto está difícil. crise de confiança brutal, duvido de tudo o que fiz. o dia típico de qualquer "identificador" chegou. gostava de vos fazer rir. e tal e coisa.mas não. vida desgraçada, malvada e cruel. Uma manhã, uma planta identicada. lindo ritmo. bonita dor de costas. estou a ficar corcunda. a azia piora. só quero comer chocolate. ó triste destino. Deus Nosso Senhor estava aborrecido e pouco inspirado quando se pôs a "desenhar" Géneros como as Barbulas, os Bryum e as Pohlias. As alminhas do purgatório esperam por mim. faltam poucos mas "impossíveis" pacotes - alguns vão parar, como por acidente, ao lixo. ou aprender a voar do 3º andar...espero não matar ninguém com o impacto da ciência. prontos, já me sinto melhor...obrigada por ouvirem o desabafo. doçe amparo
para compensar no fim do dia fomos pontuar os camareros indo comer pizzas argentinas (e não só) e beber chá turco (e não só).
já sei dizer "Estic en crisi existencial i taxonòmics"
a minha vinda termina daqui a uma semana e decidi sentir hoje por antecipação toda a ansiedade do "voltar", para ficar já arrumadinho e não ter que pensar mais nisto. para o efeito: ópera. pumbas, toma lá, e arrepia-te toda que te passa já os 5 minutos do "ai ai que já estou quase a voltar ao Porto"...parece que resultou até porque, por agora, tenho mais que fazer. tenho que ler cartas que recebi de família a amigos. tenho que pensar como é que raio vou fazer "bacalhau espiritual", sem Bimby e na cozinha do chefe (que suspeito ter menos utensílios que um consultório de dentista), como é que raio vou identificar todos os pacotes de Bryum e Pohlia e Didymodon estéreis que tenho no lab, como é que raio vou dobrar os 358 pacotes de herbário que tenho ali até amanhã, como é que raio vou ter tempo e ir desencantar presentes para toda a gente, como é que raio vou ver 3 filmes antes da meia-noite, como é que vou ver todos os museus e jardins que ainda não fui ver, como é que raio vou conseguir secar meias para calçar esta semana (tendo em conta que já as molhei todas, o secador de cabelo é o plano número 1), como é que raio vou resistir a levar merengues para toda a gente, como vou fotocopiar os livros inteiros sem que seja uma violação dos direitos dos autores que já não publicam, como vou guardar as cerca de 3000 fotos que já tirei até agora...
ai ai..a nostalgia de domingo à tarde deu forte hoje, mas como tenho mais que fazer... bjs a todos!
e, mais uma voltinha, mais uma calçotada e um fim de semana na casa dos pais do chefe.
o dia de sol da semana exige que se fique sentada na tijoleira quente, que se cheire as flores de amendoeiras até nos engasgarmos em pólen, comer outra calçotada (sim outra..), ficar a cheirar a fumo da fogueira, fotografar todas as portas antigas do pueblo, adormecer a ler ao sol, conquistar um gato arisco, folhear livros antigos de aprender a ler e escrever com textos de moral (como os da nossa ditadura que formatavam a cabeça desde a 1ª classe), gelar os pés e queimar a cara numa salamandra, aprender a distinguir uma madeira de amendoeira, falar portinhol com pessoas que não conheço de lado nenhum e que no fim da tarde já me chamam de "Nonô" (apesar de lhes ter dito que era "nini" ou "tana", os únicos diminutivos que alguma vez tive), perceber que as piadas acerca do meu nome tomam versões perversas quando o alcóol está envolvido ("a mi me gustam las "cristianas" de qualquer modo, ...crucificadas o no crucificadas", ahahaha...).
e a modos que um dia assim tão cansativo acaba em chá e galletas e cama às 9.30 ainda a arrotar ao molho dos malditos calçots, que se me obrigam a comer mais nesta encarnação juro que...
"calçotadas": assim se designa o acto de comer, até rebentar, rebentos de cebolas de 2 anos imersos em molho de tomate e amêndoa, depois de serem assadas nas brasas de soa estranho, sabe melhor, principalmente pelo Cava, pelas butifarras (enchidos) que acompanha, pelo feijões amanteigados salteados, pelo creme catalão e pelas laranjas finais que servem mais para igualar o nível da comida pela traqueia do que propriamente para "desenjoar". tudo isto comido numa adega fina cheia de história e velas e pessoas que também acreditam que sexta-feira é pseudo-laboral...
ainda assim o chefe deu o dia por encerrado e já era fim de semana às 5 da tarde. pareceu-me indicado tendo em conta o nível de sangue que estava alocado para actividades não-intelectuais. logo a seguir fomos colher flores (pelo néctar) e tirar fotos a plantas. que vício maldito este de haver natureza no exterior dos restaurantes...
claro que jurei logo que tão cedo não comia alho francês, cebolas, alhos, ou qualquer coisa que fosse da mesma Família ou Género científicos...mas como duas horas depois já estava com fome, desculpei-me com o frio e a quantidade de fibras que as folhas da cebola têm e tal e coisa, mas as pessoas olharam-me de lado. sou uma máquina triturar comida. é oficial.
juntando pedaços, reunindo bibliografia, organizando bases de dados, arrumar ideias. para conseguir voltar ao caos.
conheci o cuidador do gorila albino ("Copito de Nieve" de seu nome) quando ele ainda era vivo até há 5 anos atrás. Vivia aqui no Zoo de Barcelona e era a atracção principal.
hoje o meu pacote de chá dizia (sim é um chá temático): "may your inner self be secure and happy. looking forward to.
por aqui o meu nome aqui cria muitas confusões (porque significa literalmente "cristã", "sim sou e sim é como o do Cristiano Ronaldo...", explico já farta...). se vivesse aqui mudava o meu nome para "Jessica" e conseguia passar despercebida/ser menos gozada.
já comi paelha suficiente para o resto da minha vida (que aqui é o equivalente às lulas estufadas das quintas-feiras da cantina)...não contente comi lentilhas de "primero". a minha dieta está cada vez mais "suculenta".
já sei dizer "entre jo i la bogeria són els meus amics"
banhos termais no gelo....prova científica que a água sulfurosa faz mal ao miolo
hoje tenho muito pouco a dizer a quem não percebe a importância de conseguir identificar uma Barbula bolleana, um Didymodon tophaceus e um Orthotrichum anomalum, todos no mesmo dia e todos estéreis. que dose....
ou talvez tenha: devo estar a ovular ou esta é mesmo mesmo a cidade com mais barbudos giros por metro quadrado. (sim, fui a Gràcia, outra vez...)
jantei uma tarte de pêra e uma malga de chocolate quente com gelado de baunilha dentro. acho que assim percorri a pirâmide alimentar de uma semana numa só refeição. adoro missões cumpridas. mas um visto na lista de tarefas da semana!
já sei dizer "free your mind and your ass will follow". brilhante.
antes que pensem que morri enterradinha numa avalanche de neve...não, não morri embora tivesse cantado o "theehilllessssareeeeealllaaaaiiiiiiiveeee" junto a penhascos com neve não muito afinada e rebolado na neve com esquis e bastões e botas de neve à mistura à modesta velocidade de 30 km/hora totalmente descontrolada no encontro de uma pista verde com uma pista vermelha de alto gradiente.
os últimos dias foram de neve perfeita, gelo brilhante e sol radioso e um frio capaz de fazer rugas a uma boneca de porcelana... mas foi muito bom. até aprendi a viver em comunidade por 3 dias sem água corrente (que estava gelada nas canalizações). tudo a baldes, a sanitas Vileroy-Boch geladinhas, fotos a portadas das janelas das casas da aldeia, a raquelete de queijos dos pirinéus, de banhos romano-turco-irlandeses com água sulforosa exteriores(sim, como os macacos japoneses no meio da neve e tudo), de comer queijos que cheiram piores que a fermentação-de-meias-sintéticas-em-pés-de-velho, lutas com espadas de gelo, fotos a musgos congelados, disfarces de Zorro e essas coisas todas que fazem as delícias no meio da neve quando se consegue tirar o rabo do aquecedor.
agora estou para aqui a contar músculos que não sabia ter e a ponderar sobre como conseguir ir trabalhar amanhã se mal consigo endireitar as costas- mas não há-de ser nada graças às mitoses que ouvi dizer serem rápidas. só espero que não se estivessem só a referir ao mundo vegetal...
já sei dizer "s'il vous plaît, un pain au raisin et du chocolat chaud"
3 em 1: museu do Palácio de Pedralbes (artes decorativas, traje e cerâmica)
trabalhar à sexta feira é mesmo difícil. é que não há motivação nem companhia nem condições nem energia nem nada. mesmo. mesmo.
de manhã ainda fizemos uma prova de "meles". aqui "o mel" é "a miel" e há de todas as qualidades e alguns cheiram a pêlo de cão, outros a couro, outros a suor, outros a vomitado de bébé. parece que é assim que se vê que é realmente autêntico. parece que aqueles que nós gostamos (e que cheiram bem) são pasteurizados e perdem muitas das características e propriedades curativas. as coisas que se aprendem. depois da overdose de açucar (provei 19 meles diferentes) mal conseguia parar quieta em frente à lupa...
por isso: museus. pumbas. qualquer cerâmica do século do Arroz de 15 é bem mais interessante. e não é que é mesmo?!? fiquei até fechar e ainda vi dois pisos só de passagem (para a saída entenda-se). percebi que nem a minha coxa caberia num corpete do século XVII ou XIX e que qualquer pedaço de barro achatado com uma pinta constitui um azulejo.
já sei dizer que "matí em vaig als Pirineus i només vénen dimarts" que é como quem diz "vou para ali morrer de frio nos próximos dias mas venho já".
pois sim..valeu todos os cêntimos que paguei!a menina canta mesmo bem, melhor que nos Cd's e eu bem sabia que quando fosse grande queria se "backup singing girl". agora só tenho de ser preta, que as ancas já cá estão.
vi logo que ia ser um espectáculo bom porque recebi Ferreros Roché à entrada de graça, tinha o homem maior da sala sentado à minha frente e um casal de monos ingleses ao meu lado (ring a bell joana m.?). à terceira música já estávamos todos de pé a bater palminhas e a dar cotoveladas nos monos que permaneceram sentados sem ver népia. sim! que esta gente pode não saber nenhuma palavra em inglês (excepto o muitas vezes aplaudido "fuck"), nem saber nenhum refrão mas põe-se de pé e abana-se e assobia até partir vidros com os dedos na boca...
meninas!!!!: percebi finalmente onde andam os gajos bons e com swing desta cidade! (estão nos concertos do Palau da Musica...). com um único pormenor...estão dois a dois e por isso duas de nós chuchamos no dedo. no iníco do concerto até estava um bocado constrangida com tanto carinho à minha volta, mas estes meninos daqui são dos mais ritmados que há e no fim já estávamos os 3 a bater palmas e a dançar para o mesmo lado.
os meus pêlos dos braços estiveram muitas vezes a aplaudir também. já sei dizer "Bruised but not broken".
dia de seminário. de falar em português paaaaauuuuuuusaaaaadaaaaaameeeeeeente para a plateia que apenas não conhecia, afinal, a palavra "encostas". plateia de carecas que pelos vistos são catedráticos - ainda bem que só descobri depois.
dia de almoço de 4 pessoas no valor de um ordenado mínimo português (parou-me literalmente a digestão do risotto de fresas, dos solomillos crus, e do coulant au chocolat e do vinho quando vi a conta que o chefe pagou...). ainda bem que gamei as duas garrafas de vidro da água como souvenir...
cheguei a "casa" e percebi que os meus pais e tias, que pensam que eu posso morrer de fome, me mandaram um a caixa de víveres essenciais: chocolate, doces de festa, doce-teixeira, queijo limiano, licor caseiro, figos do Douro e umas notas verdes escondidas entre doces de gema...são completamente loucos, mas tenho de confessar que já emborquei todos os sabores pelo menos uma vez (que é? o licor cura a dor de garganta que posso vir a ter!)...
ao vigésimo nono dia tudo o que se passou é insignificante comparado com este filme que vi (ai as roupas, e as casas, e a música, e as comidas, e os chás, e.., e...).
(excepto talvez o meu porteiro me considerar a pessoa mais espectacular do mundo só porque vivo num raio de 1Km da Estação de S. Bento).
já sei dizer "Bright star, would I were stedfast as thou art-- Not in lone splendour hung aloft the night And watching, with eternal lids apart, Like nature's patient, sleepless Eremite, The moving waters at their priestlike task Of pure ablution round earth's human shores, Or gazing on the new soft-fallen mask Of snow upon the mountains and the moors-- No--yet still stedfast, still unchangeable, Pillow'd upon my fair love's ripening breast, To feel for ever its soft fall and swell, Awake for ever in a sweet unrest, Still, still to hear her tender-taken breath, And so live ever--or else swoon to death." (John Keats)
comecei o dia por vestir a minha camisola verde-musgo-irlanda. mal eu sabia que combinaria perfeitamente com o meu dia musgueiro-trevo irlandês...
sessão de mini-expo/mini workshop acerca das briófitas recolhidas durante a excursão (as arrancadas à pressa - cerca de 10% do que podia ter trazido..). falar em português, perguntas, perguntas, respostas em portinhol, risadas catalãs (se ficasse cá mais tempo tinha mesmo de ir aprender a falar a língua deles). correu bem e ficaram a achar que era tudo muito bonito mas muito difícil (julgo que principalmente pelas minhas olheiras-de-lupa-às-7-da-tarde).
para relaxar fomos ver uma colega nossa tocar violino num Pub Irlandês...correu muito bem até que os 600mL de sidra começaram a fazer efeito e eu ia jurar que os duendes estavam a passar por mim com camisas havaianas de tanto calor que tive...mas a música era fantástica e perfeitamente espontânea. a voltar, certamente, com metade do volume de sidra.
às nove da manhã a sair da cama e em coma físico para ir a cantar clássicos de rock n'roll motanha acima até à casa de campo do meu chefe daqui. apicultor ecológico de coração. bora lá recolher mel e fazer tratamentos às colmeias.
"se te picarem não te agites. se te picarem deixa inchar. faz bem e crias imunidade. ou morres. umas das coisas que aqui não há hospitais perto" -referiu de passagem... preferi não ser picada...
sentei-me à mesa e comi manjares que terra dá, pão feito à mão e mel capaz de curar um morto ou manter pessoas vivas até aos 100 (para prová-lo a avózinha sentada ao meu lado que me perguntou 23 vezes o meu nome e a que sempre respondia: "Muy maco!"..também não faz milagres....).
depois conversas capazes de fazer jurar que as pessoas da nossa família têm correspondência um pouco por todo o mundo e que os papéis e as emoções se repetem pela Ibéria fora.
Pena que tivemos que descer a montanha e cantar os clássicos da cassete (lado B). Fiquei a saber que aqui o chefe também sofre das angústias de domingo à tarde, mas que come uma colher de mel e que passa. Tenho um frasco que ele me deu. Vou comercializá-lo em porções de 1 ml a peso de ouro e fazer fortuna.
já sei dizer que "Pots tenir una sola vaca, un sol cavall, un sol gos, pèro no pots tenir una sola abella, ja que la seva solitud és la seva mort" (Karl Von Frisch)
(de seguida apresenta-se extracto mental do meu pensamento durante 15 km de caminhada em Sant Llorenç del Munt por um desfiladeiro sombrio entre as 9.30 da manhã e as 19 horas da tarde)
muito bonito sim senhor. muito bonito. se tivesse tempo para ver, quanto mais parar... ai ai ai que vou cair!!!!!!!é agora...temos MESMO de ir a esta velocidade??? olha aquilo parecia mesmo mesmo uma Porella...isto parece mesmo o Ramiscal. mas em calcário...isto é uma floresta de heras?!? ui ui que quase era desta que torcia um pé...aquele percebe mais de musgos que eu... chiii..aquilo ali no talude devia ser uma Plagiochila! que lindo seria levar uma amostra...este tipo de pedra deve ter vindo de Marte. espera onde estão todos? vou gritar. ai não, que está ali um casaco vermelho ao longe...como é que raio desceu para ali? ahh saltou..eu vou de rabo... olha ficou Ctenidium agarrado ao casaco..vou meter no bolso. fico por aqui abandonada se me atrevo a ir ver aquela parede. e aquela fonte. acho que já não sinto os pés. ai não que não sinto - estão a doer. vão-me cair as unhas de pisadas. não sejas tão mariquinhas!. mas vão ficar pretinhas...e só vou andar com as pernas direitas outra vez se for operada aos joelhos. olha aquilo deve ser Schistidium a crescer no rio...que giro!deve ter cápsulas e tudo...vou pedir à cadela do guia que me traga uma amostra...se traz os paus que lhe atiram para o outro lado do vale e já a vi trepar árvores, bem que lhe podiam ensinar a colher amostras epifíticas e aquáticas... caramba que o guia é mesmo giro!!. pena ter pernas até ao pescoço e só o ver sempre que estou esbaforida a tentar alcançá-lo... o outro é giro também, mas está a desfazer uma regurgitação de ave de rapina e a cheirá-la, não dá para beijá-lo agora...olha, prontos já escorreguei. calças verdes. mãos barrentas e nem uma amostra para o justificar....agora é oficial, deixei cair a Encalypta que tinha conseguido arrancar à hora do almoço...olha aquilo ali deve ser Marrocos, ai não que tem neve. Marrocos tem neve? olha Grimmia congelada!! fica fotogénica,...como é que raio já sou a última outra vez? e aquela velhota o que é que come ao pequeno almoço? caramba que está a anoitecer e estou a ficar outra vez para trás....como é que raio eles já vão ali à frente??!!??
já sei dizer que estive "a punt de morir a la muntanya, però bé està el que bé acaba".
dia de "antes". de redigir e pensar coisas sobre antes de ter vindo para aqui. de as perspectivar na sua forma viciada. de como é fácil que "pumbas! - lá estás tu a fazer mais do mesmo". mas, agora, a perceber isso....
o meu porteiro está de volta. ele canta e assobia romanticamente pelo corredor fora. ele fala-me da importância das cartas escritas manchadas com lágrimas vertidas (e aí eu derreti :P). ele dança com o rabiosque reboliço. ele atende os meus telefonemas e já fala com as minhas tias ao telefone (alguém está a ver aqui um potencial tremendo?). ele diz-me que estou "Guaaaapíiiiisima" antes de sair e que sou "mui intelegente" quando volto. se ele não lesse ficção científica apaixonava-me em 2 segundos....
noite de sushi, de trufas de sake num "japonês muy muy cutre". hoje comi o mundo criptogâmico - algas e fungos. . amanhã comerei apenas plantas vasculares e os seus derivados - raviolis (que estavam outra vez em promoção).
agora vou para ali fazer sandes de jambón e salmón e embrulhá-las em papel higiénico que me esqueci de comprar guardanapos outra vez e amanhã vou fazer uns quilómetrozitos até aqui. A ver se chegamos a casa antes de segunda-feira visto que só vão "criptoguys e cryptoladies"...
já sei dizer "terminis ampliats", que quase parece latim e bonito...
hoje o tema são os nens/homes (estava a demorar, pensam vocês..). apesar do carinho (muito espontâneo e até constrangedor para quem, como eu, assiste), também há brigas violentas depois e antes de "fazer o amor". ai que são tímidos, ai que são fechados, ai que falam para dentro, ai que nunca convidam (sounds familiar?)...
ontem na chocolateria cedi amavelmente uma mesa a um par de namorados que logo me convidaram a partilhar a mesa. pois sim, ainda estava eu a pensar se valeria a pena fazer-me a uma menage à trois já eles estavam a discutir aos berros à minha frente (literalmente). para fazer de conta que não era nada comigo pus-me a ler um artigo cujo título era "posso engradivar de uma lula/polvo?" (penso que será porque estas imagens estão pela cidade toda à conta de uma expo do Picasso)...quando já estava vermelha por todas as razões e mais algumas, fugi para outra mesa. claro que eles já estavam aos beijinhos ainda eu não tinha terminado nem a tarte de maçã, nem o artigo (que dizia só que deve ser muito agradável o acto, mas que engravidar, propriamente, não...a sério????).
hoje na secção dos legumes do carrefour um casal estava a pesar pimentos, mas resolveu ter uma discussão e abraçar-se e essas coisas. e eu à espera na fila da balança. no fim ela perguntou algo como "mas podes ouvir-me uma vez que seja?" e ele foi ver qual era o número dos aipos....
ontem resolvi ajudar um mocinho que vinha com as mãos cheias de tubos de soluções de 0,5M e reagentes ao abrir-lhe as duas portas de entrada da faculdade. acho que ouvi algo como "..ci" enquanto fugia sem tirar os olhos do chão....
hoje descobri que umas das mais belas fotos que tinha visto de um casal de namorados daqui já não será mais possível. foi brusco e feio. como outras histórias que me lembro daí.
hoje é o dia do meio. de estar aqui. e parece que já passou muito mais do que falta. agora vou para ali comer batatas cozidas que hoje ainda só comi massa e arroz e tenho como objectivo rebentar com a pirâmide alimentar.
hoje os Brachythecium já tinham dado tudo o que tinham a dar (os sacanas dos safados, difíceis como a p... que os...) e por isso fui arejar ao sítio do costume: Gràcia, needless to say.
mas como passear tanto sozinha já deu o que tinha a dar e há mesmo muitos comentários que só fazem sentido quando partilhados, decidi sucumbir às saudades das amigas...numa de nostalgia sentimentalóide direi que com uma amiga iríamos rir das piadas secas que uma rapariga estava a contar numa loja, com outra iríamos ficar meia hora a decidir que livro comprar, com outra iria obrigá-la a tirar uma foto a ser picada por uma melga-graffiti, com outra iríamos tirar 37856 fotos de todos os ângulos ao gato mais estrábico que já conheci em toda a minha vida, com outra iríamos nomear um dos cafés o "Bar Cheers" para as nossas longas conversas, com outra iríamos tirar modelos de crochet e colares feitos à mão, com outra iria beber chocolate quente e decidir que este sim era o melhor/pior chocolate quente das nossas vidas, com outra e contar histórias começadas por "e mais?" no cafezinho forita da esquina, com outra iríamos provar as duas tartes de maçã e decidir se eram melhores que a sua própria especialidade de há muitos anos, com outra iríamos ficar a participar numa sessão de contos livre (em que fui participar mesmo sozinha), com outra iria contar barbas a passar e com outra iríamos derreter em frente a todos os cães Beagle-bébés que esta gente anda a passear pela rua, ....
hoje descobri que afinal falo muito bem castelhano...foi o que ela disse...
já sei dizer que sou uma "noia molt maca" (que afinal é uma "rapariga muito jeitosa"..foi o que ela disse e que descobri mais tarde junto a um diccionário)
perros en la perruqueria (trad: cães no cabeleireiro)
hoje aqui está tanto frio que quando entalei o dedo no portão da faculdade vinda da rua não doeu assim tanto nem ficou muito preto. sorte.
hoje o meu chefe pregou-me um susto (apareceu na sala atrás de mim) e por acaso estava a trabalhar (mesmo mesmo)- ainda assim dei um salto tão grande que bati com a cara na lupa e deixei cair amostras. bonito.
hoje fiquei a saber que um amigo se casou há algum tempo. lindo.
hoje andei metade da tarde com pesto (que para quem não sabe é molho verde de manjericão) entre os dentes e a sorrir toda contente aos meus colegas de trabalho (machos inclusive). perfeito.
hoje não consegui terminar uma lista de 15 coisas de que gosto mesmo muito. fabuloso.
hoje descobri que se deitar leite gordo nos chás de qualquer tipo e com a água daqui, todos vão saber ao mesmo. interessante.
hoje apanhei azia monumental à custa de amendoins e pão Bimbo. combinação fatal.
hoje foi um dia mau. mas necessário.
já sei dizer "ni fa, ni fu" (que é como quem diz "assim-assim")
às vezes não tenho a capacidade de ver o que se destaca num dia. tudo pode ser igualmente desimportante e ainda assim fazer parte de um plano grande de mudança que nem estou a ver a ponta. contam-me coisas: umas são mais do mesmo, outras são as variações do costume, outras são vidas que mudam de número de dígitos de conta bancária, código postal ou mesmo país. de repente existe a mudança à minha volta. e quando se dá por ela se se espera um bocadinho tudo se altera.
por aqui a mudança traduz-se em pequenas coisas: o ácido clorídrico é um dos meus melhores amigos, quero lá saber do alarme de fogo que está a tocar no corredor, todos os bolbos do meu quarto estão floridos, já só tenho fome às duas da tarde, a televisão nunca está ligada, o ar condicionado tornou-se suportável.
o meu gosto pelo pesto continua imutável e depois de 2 pratos cheios consigo sempre parar. tirar 9287 cuecas e 35 soutiens da máquina com audiência continua a ser constrangedor (rapaz pseudo-jeitoso que estava na sala das máquinas de lavar e secar roupa). as minhas unhas da mão esquerda crescem mais devagar que as da direita deste lado da península.
Portanto, isto de mudanças comigo, está ela por ela....
o senhor da cafeteria gozou o meu british accent quando lhe pedi, amavelmente, um Crunch. galifardeu....
o tema do mar, queimar os (pen)últimos cartuchos da viagem, calcorrear só mais 4 ruinhas do bairro gótico, fazer só mais 64537 fotografias como "uma anónima na rambla", comprar os regalitos, ficar só mais um bocadinho, ai que temos de ir embora, só mais ali, olha este mosaico que bem que ficava na fotografia, só quero ir aquela lojinha ali, mais uma feirinha, mais um grafiti, ainda bem que esta está fechada, mas esta pracinha...
confirmou-se a certeza de que, aqui, um jardim de cidade é, invariavelmente, um amontoado de lajes com 4 ou 8 plátanos e, às vezes, um escorrega, mas uma de nós aprendeu o que é um bolbo.
descobrimos o café onde o Picasso costumava "parar"...uma tasca de rua estreita cheia de estilo que tinha aspecto que vendia vinho a copinhos mas com um éclaire ao lado em vez de uma tapa (éclaires é de macho). tiramos a foto "a ver o óleo do carro". agora temos mesmo de ir indo...ainda bem que daqui a 15 dias já vamos outra vez laurear a pevide para os Pirinéus...
kilómetros, paletes e resmas de passos. a cidade para trás e para a frente, de cima para baixo e às avessas. vielas, ruas, avigundas e passeigs. o clássico, o moderno e o pós-moderno. pedaços de mau caminho e caminhos com bons pedaços. confirmei a minha teoria (através de duas especialistas independentes) que esta é bem capaz de ser a cidade com as barbas mais jeitosinhas da península, mas também com os melhores merengues.
fomos ao parque mágico de Güell- mais uma manhã deste parque fantástico com gente de todos os tipos (até o perigoso) a passear preguiçosamente e a admirar cada planta e azulejo projectados para agradar cada sentido.
sol e muito frio, experiências sonoras de hang, apreciámos a vida a partir da relva ao sol, os monumentos ao virar da esquina. bebemos suminhos de fruta fresca, usamos o Arco de Triunfo como bandolete de cabelo, tirámos fotos dos nossos melhores ângulos, telefonámos 756398756 vezes a um dos namorados, comprámos de sapatos e carteiras - alguém duvida que somos fêmeas?
acabamos a noite a aquecer o rabiosque nas fogueiras de Mallorca, a comer pão com presunto e a beber chá-de-camomila-parreira.
That's life! ou como se diz por aqui..."Aquesta és la vida"!
trabalhei muito "concentrado" (interpretem o vocábulo como quiserem) que hoje é sexta.
fui a uma defesa de doutoramento....uma chica que identificou 45000 espécimes de insectos, relacionou com os padrões agrícolas, não endoideceu na prova de resistência e agora é doutora. lembrei-me da minha defesa e da aniversariante de hoje que também defendeu há pouco...isto é uma espécie de ritual bastante parvo agora visto deste lado... de presente ofereceram-lhe um guia ilustrado de insectos personalizado de modo a ter chaves dicotómicas com características de todos os amigos de trabalho (cujas caras tinham sido coladas na cabeça de insecto de cada foto que acompanhava as fichas de identificação de cada espécie,...sim com nomes adaptados em latim e auto-ecologia e tudo....)- lembrei-me que existem um nerd em todos os biólogos de que me orgulho!
depois chegou companhia para ir "carrerear". Gràcia, por supuesto. resultado: claras (cervejas com sumos de limão), livros surripados e já com dedicatórias e promessas de vir devolvê-los, manjar sírio, mercados de fungos, cuecas que só porque têm risquinhas e são retro passam a custar 12 euros, viagens planeadas (para não perder o ritmo), muitos escritos aparvalhados, locais onde o alcóol é proibido em função do chocolate quente e a constatação que os sítios se enchem depois que entramos neles (ou somos magnéticas ou adiantadas).
Tudo sabe melhor quando se está com quem se gosta...
já sei dizer "pica-pica" (a.k.a.porto-de-honra-sem-porto-mas-com-tortilhas).
os cursos intensivos de palavrões light, que envolvam as mães ou verdadeiramente ordinários continuam....existe já uma lista
globalização é estar no metro e três pessoas (incluindo eu) termos meias da mesma marca, modelo e apenas cores diferentes.
fiquei contente, não percebei ainda bem porquê - mas penso que terá a ver com o meu nível de estrogénio - que o Daniel Brühl é metade catalão
hoje comprei carne, pensava que era "bon Peru" mas afinal era "bon Preu" - e peitos de galinha que odeio...
finalmente quebrei o código dos Cratoneurons e Pallustriellas - I'm in. agora se não voltar, procurem por mim entre as páginas 345 e 389 da Flora Ibérica.
tornei a comer merengues de fresa. vou a rolar daqui na direcção oeste (até ao Porto) no fim de Fevereiro.
hoje fui a um concerto de Jazz. dormi bastante principalmente entre a primeira e o que julgo ter sido a última música ou encore do solo da bateria, não sei. culpo o calor e o fofo das poltronas. mais uma situação para a minha lista de "sítios-onde-pensavas-que-nunca-seria-possível-adormecer". parece que este estilo "não é bem a minha praia".
hoje aprendi muitas palavras. estão todas na lista da foto. mas ainda só me sai naturalmente as mais curtas e com poucas sílabas.
a propósito no "nine" (que ainda não vi) fui assistir a una classe de tango. (sim, no trilho dos argen tinos).
o vira do minho seria mais apropriado para aquela cambada de pessoas que estavam por ali a tentar não parecer ridículas enquanto caminhavam em círculo ao som de vinil sensualmente riscado.
Mas claro que gostei, apesar de ser difícil descontrair e não cheirar o hálito do companheiro de dança (quem mais senão o senhor mais careca e com 3 alianças de casamento, sim 50 anos de bodas, que estava ali para deixar de ser um torpe e surpreender a sua esposa numa próxima fiesta), ser difícil baixar o corpo noutro enquanto se interioriza a música, ser dificil não parecer uma aula de carrinhos de choque humana, ser dificil deixar de desejar estar ali com alguém que nos seja muiiiito especial.
parece que as coisas difíceis valem a pena - já a identificação de briófitas estagnou por excesso de dificuldade. estou em balanço para ganhar fôlego e certezas que nunca tive acerca de plantas que nunca vi.
já sei dizer "cópon! ets tonto o t'han parit a pets?!?" (que é exactamente o que parece ser quando se lê...)
enxaqueca brutal: talvez tenha a ver com o chocolate ou a sopa de ontem. uma das duas coisas (tudo aponta para que tenha sido a sopa porque a Samantha também ficou doente por causa da sopa da casa dela que tinha os mesmos ingredientes). quando o efeito do iobrufeno passou tentei o segundo remédio: ir às tiendas de Gràcia "arejar"....
resultado:
- flores para o meu quarto no florista mais interessante que alguma vez visitei e que dá vontade de ser rico e dar festas para que ele faça a decoração ou ter mais do que muitos namorados para exigir ramos de flores feitos por ele sempre que se festeja qualquer coisa);
- livros com comida com flores (mais 3 kilos para a mala) numa livraria de culinária (2038946532 livros sobre alimentos e culinária e sobre temas intermináveis e fascinantes que dão ainda mais fome e vontade de tirar cursos de culinária);
- comida italiana (como se não bastasse todos os raviolis que ando a comer agora tenho 3 tipos de massas para os meus almoços-tapwere).
se fico aqui muito mais tempo começo a ter vontade de fazer um piercing e arranjar um rafeiro (as rastas vêm a seguir...).
aqui o correio tem este símbolo já que deve ser célere como uma andorinha mas chegar sempre lá, seguro como uma "tortuga"
há dias em que é necessário aceitar que:
-talvez seja boa ideia que o teu porteiro vá mesmo para S. Salvador da Baía para curar a tosse de perro , senão não dormes sempre que ele faz turno...
- nem todos os espécimes podem ser identificados satisfatoriamente (ah! ingenuidade de não-principiante...)
- apesar de comer um chocolate inteiro poder ser tão natural como a minha sede é capaz de não ser lá muito boa ideia.
- sou capaz de ser a única pessoa que se importa que um quarto 5 anos depois da sua construção ainda tenha pó-branco-das-obras nos cantos.
- ter saudades da Bimby é apenas natural num contexto em que é preciso amassar os vegetais da pseudo-sopa com o ÚNICO garfo que se possui.
- ter saudades dos sacos-de-mimo (a.k.a. Pikis) começa a ser um facto.
- não pôr o despertador a tocar pode resultar em chegar ao trabalho às 11.45 e o teu chefe estar à entrada e imediatamente te perguntar: "te gustó el concierto?"...
hoje aprendi que, para além das sextas feiras, também "no prendre's gaire seriosament els dilluns" é uma política bem aceite por aqui.
contrastes culturais: a sinfonia do Beethoven e dos papagaios vs. a geometria dos corpos de Picasso e dos argentinos
pois é: aqui sabe-se que o dia vai ter uma amostra de sol quando se acorda com uma matilha de papagaios tropicais a grasnar na janela; mas isto por aqui é sol de pouca dura porque vejo um raio de sol (ao longe) cada 5 dias desde que cheguei e suponho que se vivesse em Celorico da Beira apanharia menos molhas ...
o meu porteiro preferido voltou a falar de como detesta a humidade e que queria ter nascido em S. Salvador da Baía. tive pena de apanhar a cassete no mesmo sítio...talvez amanhã.
concerto de música sinfónica: uma orquestra dirigida por um carismático japonês sem partitura num concerto de mais de 3 horas (que tinha um varadim para não malhar abaixo do palco com tanta "expressividade") e uns primeiros violinos capazes de fazer chorar as pedras da calçada (e a mim tb).
mais Picasso, menos Picasso, 2098435385 quadros e 1328475283 cerâmicas que o homem tinha medo de ser esquecido, inspirações na arte erótico-pornográfica oriental e tal e coisa (juro que cheirei testosterona no ar do museu...)...
e depois "bamos a cenar algo" e só tenho duas palavras: argen tinos. (joana m.: já percebi!...)
Já sei que aqui se diz " que há muchos besugos no ríu" em vez de "muitos peixes no mar" e a minha mãe já sabe dizer "blog".
- existem mantinhas em todas as esplanadas e o senhor que está na mesa do lado acende um incenso antes de começar a escrever num caderninho rosa;
- há mais cães que pássaros (incluindo as gaivotas), mas não há nenhum "presente" evidente para pisar; (vi raças que pensavam que já estavam extintas desde os anos 80 - talvez também o revivalismo da moda chegue ao tipo de cão-adereço)
- há porcos com trelas a passear no areal;
- os adultos mascaram-se no Carnaval mas as crianças não;
- se ganham concursos de "a rua mais romântica-e-florida";
- porta sim, porta não é um cinema ou uma loja de lingerie masculina;
- existem mais homens de mãos dadas que palmeiras;
- isto senhoras e senhores..é Sitges...
já sei dizer que "així como així" (que é como quem diz "assim como assim")
merengues (bomboca meets suspiro) o meu novo amor....
pormenores gastronómicos:
aqui nada sabe ao mesmo...a começar pela água e a acabar no melhor dos azeites (que mais parece óleo...)
ontem levaram-me a saborear um dos prometidos jantares catalães. quando já estava a ruminar umas folhas de alcachofra grelhada e a pensar que as folhas de palmeira devem ser mais gostosas, alguém teve a caridade de me explicar que só se chupavam e roíam na parte terminal..óptimo, obrigada por avisarem...
hoje para jogar pelo seguro fiquei pelas batatas: tortilhas e batatas "bravas".
pelos vistos vamos passar uma noite a comer alhos franceses em breve -a parte branca e a verde (já me certifiquei antes...). mal posso esperar...(vou ali comprar enzimas em xarope para digerir a celulose e já volto!).
o que me tem safado são os merengues e as patisseries...
já sei dizer "xocolata" - embora aqui não seja assim tão bom....
i. quando está sol está frio e as orelhas encolhem e os phones não cabem nos buracos das orelhas e o risco de apanhar otite é ainda maior.
ii. a gravidade actua mais sobre os líquidos da Starbucks quando eu estou por perto.
iii. os gajos giros são todos: 1. namorados de alguém; ou 2. gays; ou 3. corredores; ou 4. "mossos d'esquadra". tudo coisas complicadas.
iv. as cebolas roxas picam mais nos olhos que qualquer outra raça de cebolas.
v. à sexta-feira vai-se trabalhar "levezinho" e quando o chefe pergunta o que vais fazer nesse dia não é uma pergunta rasteira mas para saber se também pode ser incluído nos planos de jantar e saída nocturna.
vi. quando a comida sabe a metal o mais provável é que uma colher de sopa ferveu dentro da panela imersa na comida durante pelo menos 20 minutos.
vii. podes estar quase 10 minutos à espera que um semáforo fique verde sem que nenum carro passe que se te atreves a pôr o pé na estrada aparecem logo 2387469235 carros (teste em 3 passadeiras)
viii. quando identificas 56 pacotes de Pellia sp. são todas Pellia endiviifolia por mais que tentes que não.
x. quando a tua mãe está a falar contigo ao telefone e a máquina do pão apita, tu perdes a jogada e não adianta "fermentar" que é mesmo assim...
xi. quando consegues dormir no mesmo quarto que um frigorífico estás pronta para a vida!!!!
já sei dizer "la fruita aquí és molt car" às senhoras do Euroski
imagino que para qualquer biólogo ver este filme seja um desafio para permanecer sem tentar fazer as analogias entre as espécies que conhecemos e as que figuram em Pandora (lembro-me bem da vez que certas botânicas foram ver o Lady Chatterly depois de uma saída de campo...). Custou-me ver todos os pedacinhos de biomassa vegetal (ainda que digital) destruídos. chorei quando deitaram a árvore princiapl abaixo. gostei de me identificar com a personagem da botânica como a única "humana" a querer tirar "amostras". gostei de estar a ver o filme com alguém que percebeu quando eu disse que as sementes voadoras eram como "papillhos meets medusa" e que também se riu quando viu que as escadas eram Polyporales. saí meia atordoada e com a cana do nariz a doer por tanta informaçao e peso das "gafas 3D" e com a ligeira sensação que faço parte do bando dos maus da fita, por mais que seja bióloga e aprecie ou disfrute da natureza, ou até trabalhe em projectos de conservação.
depois de ver um mundo tão revelador custa voltar para um laboratório onde tenho de imergir as amostras em ácido clorídrico para as conseguir identificar. Imagino que se fosse alta ( e azul) como a Neyriti as espécies me diriam o nome delas ao mais pequeno pedido ronronado que lhes fizesse...mas como só tenho 1m60cm vou voltar à lupa para fazer a minha lista de dezenas de espécies que estão para desaparecer em breve...
já tenho bilhete para a Joss. já sei dizer que se comem "palomitas" no cinema.
bora lá aprender "ganchinilho"? pensei que que não sabia, que ia aprender alguma técnica científica nova..cheguei e era uma aulinha de crochet...gostei principalmente da sensação de estar na risada com elas e de pensar que estes grupos se repetem um pouco por todos os lados...até na algoteca da Faculdade de Barcelona. fiz flores que distribuí sem aprender um único nome de crochet em inglês em pronúncia espanhola (é o que dá andar a traduzir...). (mas descansem tricotadeiras da minha eleição que as nossas reuniões são muito mais "nutritivas e gargalhentas"!).
hoje aprendi que os chupa-chups foram uma invenção catalã (isso de pôr um pau no rebuçado..) e que foi um erro na fábrica catalão de cornetos da "Frigo" que gerou a famosa porção de chocolate no fim do corneto de qualquer sabor...as coisas que se aprendem por aqui!
o meu porteirinho hoje não apareceu e estou desgostosa porque queria mais pérolas de sabedoria grátis. dói-me muito as costas de estar sentada em posições correctas.
já percebi que o estendal se pendura no ar condicionado, naquelas peças que se mexem se o desligarmos. mas só até 3 cuecas e 6 peúgas. a camisola interior é fatal a qualquer instalação artística.
comecei logo a manhã com vários crimes ecológicos porque aqui para perceber como funciona a reciclagem é preciso tirar pelo menos uma licenciatura e um mestrado incorporado, já que há 3(!!)de lixo que não a reciclagem normal do verde, amarelo e azul...
depois saí do refeitório com o tabuleiro e a louça e comida como se não fosse nada comigo e fui comer para outro edifício. depois "convidaram-me" a não devolver a louça para aumentar o espólio da cozinha do departamento que "andava por baixo". a pressão de grupo resultou e aumentei a lista de delitos pessoais.
de tarde eu e as colegas de trabalho estivemos a ver sites onde se podia descarregar e ver filmes à borla...
ao sair do Carrefour os alarmes tocaram comigo 2 vezes. fiz cara de lata-chateada-com-este-tipo-de-situações-desagradáveis e vim-me embora (afinal tinha pago tudo o que trouxe)
estive a acabar de separar os espécimes e tenho 545 pacotes..ora pelas minhas contas, fora fins de semana e noves fora, tenho de começar a aldrabar e a confiar nas minhas "high research skills" (o que vale é que há mesmo muitos cromos repetidos).
agora vou para ali armar-me em boa menina,lavar roupa e perceber como é que raio funciona um estendal de pendurar sei-lá-eu-onde...
pedaços de chocolate e de cidade quase fechada ao domingo
acabada de chegar da rua e de mais um encontro surreal com o meu porteiro de eleição. Hoje explicou-me que a chuva cai sempre de cima para baixo e que gostava muito do meu corte de cabelo "à la garçon". Também me explicou a diferença entre paixão e amor e certificou-me o quanto o coração se enganava logo a seguir a assegurar-me que ainda estava apaixonado por uma mulher da Mongólia. mas que não iria atrás dela. garantiu-me que os homens portugueses eram dos que conhecia como mais capazes de se apaixonar perdidamente. não soube o que lhe responder...
palro indefinidamente no meu "portinhol" caótico sempre que posso. tem resultado, especialmente quando falo mais português do que espanhol.
aprendi a lição e não volto "à baixa" ao domingo: o dia na cidade estava de chuva e todas as lojas de portadas fechadas para ninguém ver as montras sem poder comprar o que vê. um homem zangou-se comigo por eu não estar na "rambla" e expulsou-me da rua estreita. começo a achar que vaguear sozinha nunca teve tantas regras que (ainda) desconheço.
desejei usar e comprar sabrinas mais que nunca e fotografei demasiados grafitis. desejei e apanhei uma overdose de chocolate e churros com as minhas colegas de trabalho.
percebi que o Hambuger da BurgerKing é mais "potente" que o da McDonalds. não perguntem...(a quel sabe do que falo...). hoje sim: bebi o chá-mais-merdoso-e-mais caro-da-minha-vida.
vou ao concerto da Joss Stone ao Palaus da Musica. e aproveito e vejo mais um alucínio de Gaudi por dentro...
hoje o dia foi fácil "as walk in the park", com temperatura amena e absolutamente plano ou obrigação algumas -o mote do dia foi o modernismo, já antigo mas muito naturalista, do Parque Güell e do boémio bairro da Gràcia.
apanhei sol na Plaza del Sol. fotografei mais casais do que aqueles que me pediram para o fazer.comi as piores batatas fritas de toda a minha vida mas bebi o melhor chocolate quente suíço com natas. O custo de vida daqui não deve ser muito diferente de Viena, suponho...
um homem perguntou-me o nome e se eu queria ir tomar um café. Tive de recusar, não porque a expressão "comércio de orgãos" me tenha passado pela cabeça, mas porque a criatura não tinha os incisivos e caninos superiores e o meu fetiche por sorrisos brancos e "completos" é bem conhecido. Chamem-me preconceituosa, se quiserem.
Uma exposição de escultura do Maillol na "Pedrera" e afinal já tinha visto muitas "nuas" dele em Paris. aqui como festejam os "Reys" o Pai Natal tem a ajuda dos três reis magos para assaltar as casas a partir das varandas.
Começo a ler "Great expectations". Já sei dizer "Adéu"
o material de escritório por aqui é, por definição, optimista...
quando se começa o dia a comer chupa-chups de fresa num relvado ao sol com as colegas-já amigas daqui não pode correr muito mal, pensei eu...
primeiro estraguei a minha camisola nova com molho de raviolis (sim sempre raviolis..estavam em promoção...)
depois fiquei presa na casa de banho. a fechadura recusou-se a rodar. pensei que deveria ter aprendido a dizer "Socorro" em catalão, Ainda gritei S.O.S e senti-me ridícula. depois aquilo rodou e saí e ninguém deu conta. podia ter ficado lá o fim de semana todo...porque ninguém fica na faculdade na sexta à tarde, descobri mais tarde.
Sem motivação nem companhia, saí e fui ver onde andava o povo: todos os cafés cheios e sem mesas livres para me sentar e ficar a fazer de conta que esperava alguém. por isso descobri porque comprei o casaco mais quente do mundo: para ficar na esplanada a ver as pessoas como num aquário. foi giro enquanto não entornei o "chai latte" (a minha bebida de eleição por agora) por cima de mim e do iPod..
segui a romaria das montras, qual voyeur, e pensei que tinha morrido e chegado ao céu porque dei com um café cheio de gajos giros (com barbas e sem barbas) - foi aí que olhei para o nome e li "Heaven and Hell" - quase me escaquei a rir! sem mesas igualmente (para a semana vou para lá às 3 da tarde vê-los entrar e dar pontuação e fazer contagens).
Ontem foi o concerto do Michael Bolton em Barcelona.:P
Apesar de tudo isto estou muito bem-disposta porque hoje o porteiro me sorriu e se encharcou numa água de colónia que faz lembrar os gavetões da minha mãe e amanhã já vou passear e tentar não tropeçar em todos os "mamarrachozinhos" gaudianos que estão por todo o lado!
"velhos hábitos demoram a morrer". a forma de pensar e agir são os básicos nesta questão. isto traduzido em miúdos: fui a última a sair do PISO (nem sequer do laboratório) da faculdade de biologia hoje e consegui convencer as minhas colegas de laboratórios a comer chocolates de tarde.
o carbonato de cálcio e os depósitos de travertino enfurecem-me.
aparentemente as cripto-ladies portuguesas são muito conhecidas em Barcelona: afinal também conhecem a "Dori" por aqui.
roubei sal fino para cozer novos raviolis na cozinha onde conheci dois dos rapazes mais sebosos de toda a minha vida. um com caspa e outro sebo que dava para fazer velas. ambos vegetarianos (onde vão eles buscar tanta gordura?)
e se estiverem a pensar que é boa ideia aquecer no micro-ondas ravioli de maçã caramelizada esqueçam-
pois bem: já gosto desta gente principalmente porque não falam alto como os espanhóis restantes e, às vezes, ia jurar que estão mesmo a falar português. também não atiram coisas ao chão. se souberem de alguma chave dicotómica de identificação de briófitas apenas pelos caules e/ou pelas nervuras digam-me tá? afinal existem amostras piores que as minhas e quem disse que a deposição de carbonato de cálcio é gira que se vá ...er...
hoje fui ao super do povo: ao corte inglês, claro! e se estiverem a pensar que ravioli de maçã caramelizada é um jantar com sobremesa incluída esqueçam -
o porteiro da residência nasceu por acaso em Espanha e queria mesmo era estar em S. Salvador da Baía. Tem 50 anos e dorme com dois gatos e dois cães. Aconselhou-me a não casar. Tudo isto a propósito de um cobertor.
olá olé! cá estou eu em terras catalãs cheia de novas energias e arrepios (bolas que esta terra também sabe ser fria!). Já estou acomodadinha (e fui muito bem recebida) e só me falta descobrir a padaria mais próxima... Já vi os musgos que esperam (mas não me assustei lá muito) e foram todos simpáticos comigo. liquenólogos e algólogos a pacotes e uma zombie de brióloga velha que só conheci de vista... já há planos de excursões a vales verdes e refeições que envolvem babetes e muita cebola (???). vi barbas a passar e gostei. os gorros favorecem muito. apesar de tudo no meu lab só gajas..que espanto!! mas são todas muito simpáticas e a teoria do "eu conheço alguém que tu conheces e a Península Ibérica é um ovo cozido" também se verifica aqui.